segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O culpado!

Sabe o aquecimento global? A culpa é sua! Quem manda ficar emitindo CO2 na atmosfera com seu gol 2003 que, diga-se de passagem, tem ainda 17 prestações a vencer? Qual o problema de morar em São Gonçalo, quase em Itaboraí, e trabalhar na Barra da Tijuca usando o transporte público? Custa alguma coisa pegar três ônibus lotados e ficar 2h45min no trânsito em nome do meio ambiente? Mas não, você prefere 1h30mim confortavelmente em seu golzinho no engarrafamento e não se sacrifica em prol da natureza. Só falta dizer que está esperando o governo construir uma linha de metrô para Itaboraí ou, pelo menos, algum transporte decente para começar a agir de forma mais ecológica... Que desculpa esfarrapada! Se o governo usar verba pública para isso, com que 1 bilhão, vai reformar o Maracanã como a FIFA mandou?

Sabe a falta de segurança pública? A culpa é sua! Quem manda você morar ou andar em lugares perigosos? É pedir para ser assaltado, né? Você não vai querer que tenhamos uma polícia mais presente, vai? Nesse caso, quem é que vai cuidar das vans que fazem transporte alternativo, das cobranças do Gato Net e gerenciar as milícias?

Sabe o garoto que pede esmola no sinal? A culpa é sua! Quem manda você não contribuir com a LBV, Sociedade Leprosaria e tantas outras instituições de caridade que vivem ligando para nossa casa? E ainda, na época do Criança Esperança, só doa R$ 7,00 e não R$ 30,00. Não me venha com o argumento que você paga 27,5% de imposto de renda, fora INSS, FGTS e etc. E que parte de tantos impostos é destinada a ação social. O governo tem muitos gastos e compromissos, sabia? Há o auxílio-terno para os deputados, os subsídios e isenções de impostos para as empreiteiras, e claro, um pé-de-meia para as eleições, que os maldosos chamam de caixa 2.

Sabe por que seu time anda jogando mal no campeonato? A culpa é sua! Quem manda você comprar a camisa do seu clube no camelódromo a R$ 30,00, em vez de pagar R$ 199,98 em uma loja autorizada? Arrecadando menos, como seu clube vai investir e pagar R$ 400 mil de salário para um jogador como Deivid? E a comissão do empresário? E a do dirigente? Só falta você ter a ideia estapafúrdia de pedir para seu clube baixar o preço da camisa oficial? Já pensou a camisa do seu time valendo menos do que um terno? Como a Adidas, Nike, Puma sobreviveriam?

Sabe este texto que não sei como terminar? A culpa é sua! Quem manda ler até a última linha. Se tivesse sido sensato e desistido antes, não haveria esse problema.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Série Retrô: Desarmamento


Como o tema voltou ao debate, segue mais uma oportunidade para a Série Retrô. Desta vez é uma cônica escrita em 2005, perto do plebiscito que decidiria sobre o futuro (hoje, presente) do Comércio de armas

Que duelo! Os dois lados se armaram com seus argumentos e agora bombardeiam a caixa de entrada do meu e-mail. Opiniões contra e a favor do desarmamento estão vindo de todos os lados. A cada novo acesso, sou atingindo por mais uma mensagem perdida. Algumas, resolvi deletar. Sou réu confesso. Mas agi assim apenas para proteger meu tempo.

Depois de tantos e-mails, cheguei a uma conclusão: ninguém apaga cabeçalho de mensagem encaminhada. Outro ponto também tão relevante como este foi a pré-disposição dos que votam “não” em fazer o papel da polícia: “Os homens de bem (quem concede o título “homens de bem”?) têm o direito de se defender dos criminosos”. Mas e os impostos que pago para ter segurança pública? Poderia até aceitar encarar um assaltante se houvesse um desconto significativo em meus tributos. Mas acho mais seguro e recomendável cobrar dos governantes uma polícia mais eficiente do que tentar ser um policial amador.

A falta de segurança assusta todos, mas a história mostra que votações à base do medo já produziram Bush nos EUA. É um tiro que pode sair pela culatra.

O curioso é que muitos dos que são a favor do comércio de armas para civis afirmam que não teriam uma arma e concordam que é perigoso reagir a um assalto. Dizem que defendem a causa, pois só a dúvida de que um cidadão estaria armado inibiria a ação dos bandidos.

Custo a acreditar que esta dúvida paire na cabeça de marginais quando planejam uma ação. Como também não acredito que o resultado do plebiscito (seja qual for) implicará no aumento ou diminuição da criminalidade. O que parece óbvio é que o fim do comércio reduzirá acidentes com armas de fogo, crimes passionais, desvio de armas legais para as mãos de criminosos, e discussões de condomínio ou de trânsito que terminam em tragédia. Sejamos honestos: quem, num acesso de fúria, já não teve vontade de puxar uma arma nem que seja apenas para assustar alguém? Eu, por exemplo, se possuísse uma, talvez já tivesse apontado para o Parreira e perguntado com um tom irônico: “Quero ver escalar o Roque Júnior agora???”

Agora, se quisermos um sistema olho por olho, dente por dente, já vou logo avisando: aceito trocar meus olhos pelos do Fábio Assunção, mas não troco de jeito nenhum os meus dentes pelos do Ronaldinho Gaúcho.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Carnaval no Congresso - Para ficar tiririca!

A eleição do palhaço Tiririca à Câmara Federal já foi uma piada sem graça. Mas feita por eleitores. E hoje, a palhaçada da sociedade é uma cota democraticamente representada no Congresso.

Agora, indicar Tiririca para a Comissão de Educação e Cultura já virou uma piada de mau gosto. Pode ser até preconceito meu, mas até pouco tempo atrás a Justiça Eleitoral tinha dúvidas se ele sabia ler. Agora, ele vai ter que escrever projetos. Que não sejam com o mesmo texto enganoso da campanha. “Pior que está não pode ficar”. Pois é...Ficou.

Depois de piadinhas de mau gosto, surgem as ofensas. Maluf, Newton Cardoso, Eduardo Azeredo, Waldemar Costa Neto cuidarão da reforma política. Figurinhas carimbadas e repetidas do jogo político, viciante e vicioso de troca de favores e cargos. Durante anos e mais anos, eles jogaram bem e participaram com afinco desse shopping center político. Você acredita que, só porque entramos na Era de Aquarius, eles foram convertidos para um plano superior de ética?

Calma, ainda há mais provocações. O mensaleiro João Paulo Cunha foi eleito para presidir a Comissão de Constituição e Justiça. Ele não teve um voto contra. Eu não tenho palavras.

Bem, já que é para nos sacanear mesmo, para terminar sugiro um deboche. Para a Comissão de Disciplina.... Romário. Pelo menos dos males, será o mais baixinho.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O símbolo de um descaso


A notícia do helicóptero do Exército que caiu em Friburgo e que o acidente só não foi mais grave ainda porque foi em cima de um monte de esterco é de um simbolismo atroz. Indica que, pelo menos, naquele local foi feita alguma merda. E isso salvou a vida dos 5 tripulantes.

A merda tem suas nuances. Em alguns lugares, é bem-vinda. Aduba a terra, fortalece o solo. Em outros, como no Congresso Nacional, produz exatamente o inverso. Uma merdinha feita ali destroi o chão de muita gente. Um exemplo é o que já noticiou Zuenir Ventura em sua coluna no jornal O Globo. Em março, deve ser votado na Câmara o novo Código Florestal que amplia as áreas de ocupação nas encostas.

Se for aprovado, a coisa vai feder ainda mais nas próximas chuvas, nos próximos anos.
Enfim, quando a gente clama para que os políticos façam alguma merda, eles entendem o sentido errado da frase. Fazem mais merda.

É a sensação de que eles cagam e andam para a gente.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Exclusivo: a biografia de Papai Noel

Papai Noel estava cansado. Desestimulado. Vivia coçando o saco que carregava nas costas. Trabalhava o ano todo, mas o reconhecimento só vinha quase no fim dos 365 dias e mesmo assim durava pouco. Logo depois, todos já tinham mudado de assunto e só falavam do ano novo.

Papai Noel queria mais. Queria o reconhecimento profissional. E quem sabe um cargo de executivo em uma indústria de brinquedos. Um emprego que oferecesse um bom salário, folga aos fins de semanas e feriados (inclusive o de Natal).

Papai Noel não conseguiu a vaga de vice-presidente na Gulliver. Tinha um estagiário que fazia essa função por um custo bem menor, mas o velhinho já tinha outros planos. Organizaria um programa de demissão voluntária para as renas que o ajudaram durante anos. Em relação aos duendes, pagaria cursos profissionalizantes para que eles pudessem alcançar um crescimento profissional e, principalmente, pessoal.

E assim, mandou as renas para o espaço. Já os duendes sumiram de repente, apesar da promessa dos cursos.

Seu novo negócio era adaptável aos novos tempos. Esqueceu as cartinhas. A equipe agora respondia as mensagens pelo facebook e Twitter (@papainoelreal). Tinha também um site: www.papainoeldelivery.com.br/3xsemjuros com patrocínio das Casas Bahia e um slogan que piscava na tela: "Aqui é assim: clicou, levou!".

O Velho Noel passou a trabalhar com um sistema de franquias. Quem quisesse ganhar um troquinho nos shoppings em época de Natal, teria que preencher um formulário, esperar a autorização e o fornecimento do uniforme pela empresa Papai Noel Logísticas e Entretenimentos S/A. Ficou acertado também que para cada grito "oh oh oh" seria cobrada uma taxa relativa aos direitos autorais.

E o velhinho era danado. Ainda tirou um coelho do gorro. Gravou um DVD de músicas natalinas. Era o Top 10 Hits Natal Remix. Papai Noel e sua Banda passaram a fazer shows com a participação especial da cantora Simone, cantando o sucesso "Então é Natal".

Estava tudo dando certo. Mas a pirataria estourou o saco do Papai Noel. Os duendes, que haviam desaparecidos, estavam, na verdade, fabricando produtos falsificados da Papai Noel Logísticas e Entretenimentos S/A, inclusive o seu maior sucesso: Top 10 Hits Natal Remix.

A entrega de todos os produtos ficavam por conta das vingativas renas. Mas o buraco do comércio ilegal era, literalmente, mais embaixo mesmo. Os gnomos comandavam tudo. E por mais que as autoridades os pegassem, eles conseguiam sumir de repente e aparecer em outro lugar, levando (pasmem!) os produtos pirateados.

Por isso, o Papai Noel pode interromper neste natal o fornecimento de seus produtos. Ele quer pensar numa reestruturação da marca e elaborar uma estratégia para acabar de vez não só com a pirataria dos gnomos, mas sim com todo tipo de comércio ilegal. Gnomos x Papai Noel. Em quem você acredita?

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Foi assim que vi o título


Domingo: 05/12/2010
Horário: 18:44

35 minutos do segundo tempo

Os próximos 10 minutos iriam decretar dois meses de humor meu. O Fluminense vencia por 1x0. Só que um golzinho do Guarani podia me tornar paciente de uma unidade cardiológica.

36 minutos

Nesse momento, batia o recorde de caminhada dentro de uma sala de estar. Em frente à TV, andando de um lado para o outro, percorri o equivalente a 17,5 quilômetros.

37 minutos

O locutor avisa que tanto Corinthians como Cruzeiro estão empatando. Só um desastre tira o título do Flu. Não queria, mas nessa hora, me veio à cabeça a LDU. Tinha que pensar em coisas positivas. É a lei da atração! Lembrei a arrancada de 2009. Tudo começou ali. Essa a verdade. O título de 2010 começou em 2009. E se levarmos em conta que cada equipe começa o campeonato com 5% de chances de título e, ano passado, a possibilidade de o Flu participar do brasileirão deste ano era de apenas 2%, a conta que surge é essa: em 2009, as chances de o Fluminense ser campeão no ano seguinte eram 2% em cima de 5%, ou seja, 0,1%. Fiz essa conta no meio do jogo, juro!

38 minutos

Toca o telefone. Alguém diz: “Vamos ser campeões, Vartan, vamos ser campeões!!!”. Eu repondo: “Deus te ouça!”. Ele desliga o telefone. Até agora não sei quem era!

39 minutos

Meu vizinho grita “Muricy guerreiro! Ficou no Flu para ganhar o Brasileiro”. Como Muricy foi importante! Com ele não tem segredo, vídeo motivacional ou teorias como a lei da atração que usei aos 37 minutos de jogo (mas deu certo, vocês viram). A malandragem de Muricy é trabalhar. O tricolor carioca precisava desse pragmatismo paulista. E esse paulista precisava desse clima carioca. O Flu está mais sério. Muricy está mais alegre. Eles se merecem. Nós merecemos.

40 minutos

Conca sente câimbras. Começo outra conceituação filosófica, sociológica sei lá o quê. Esse argentino é o rei do Brasileiro. Brasil x Argentina, Pelé x Maradona, Samba x Tango. Penso: quanta rivalidade boba. E exagero: o Flu está contribuindo para o fim desse bairrismo. Nesse momento, quem canta é o meu filho de 6 anos: “Puta que pariu, é o argentino mais amado do Brasil”. Ameaço repreender o palavrão do menino, mas não é ele que está certo? Bem, acho que não é exagero meu. Se Brasil e Argentina se unirem, vai ser por causa do Fluminense. Digo isso de forma racional. NEEEEENNNNNSSSEEEE!!!!


41 minutos
A bolinha da Globo avisa: gol do Cruzeiro. Cacete, não podemos nem pensar em tomar um gol. Custava uma vitória tranquila por 3 x 0, por exemplo? Melhor pegar o livrinho do plano de saúde e marcar a página do Procordis.


42 a 44 minutos

Estou rezando. O que leva um torcedor a crer que Deus assiste ao campeonato brasileiro? Vocês acham que Deus vai dar esse cartaz todo a CBF?

45 minutos

Vão ser dois minutos de acréscimos. 120 segundos. 1200 décimos, 12000 centésimos ou 120000 milésimos. É tempo para cacete, porra!


46 minutos

O juiz vai apitar a qualquer momento. Vai apitar, apitar, api....


12 horas depois

Acordo. Estou no Procordis. Chega o médico. É o Celso Barros.
NEEEEENNNNSSSSEEEE!!!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Série Retrô: Eleições

Marina era a candidata que tinha a história de Lula e a elegância de FHC. Ironicamente, era ela a opção de mudança nessas eleições. Sem Marina, fiquei órfão de candidato.

O PT já não é mais o PT. Que fique com Zé Dirceu, com o apoio de Sarney, Calheiros e Collor. Não com meu voto!

O PSDB que também faça bom proveito do seu sócio conservador, o DEM. Aliás, o DEM que já foi PFL e me fez lembrar uma sugestão deles para as eleições de 2002: Silvio Santos para presidente. Na época, mereceu uma crônica minha. E na falta de um candidato que me empolgue e de uma disposição para escrever algo novo, segue abaixo a crônica escrita em 2002.

Mas será possível?

E se Sílvio Santos viesse mesmo aí, como sugeriu o PFL? Posso até imaginar. No dia da posse, Gugu - que, naturalmente, seria o vice - iria chorar ao ouvir, ao invés do hino nacional, o jingle "O Sílvio Santos é coisa nossa", na voz do Supla.

Ainda na cerimônia, Sílvio Santos perceberia a necessidade de um bordão para falar com o povo. O Getúlio tinha o "trabalhadores do Brasil". O Collor tinha o "minha gente". O Sarney, o "brasileiros e brasileiras". Ele precisava de um. Não teria dificuldades. Ao receber a faixa e se dirigir ao público falaria, sorrindo, com a habitual simpatia: "Meus colegas de trabalho ...". O Gugu choraria de novo.

Logo depois, o porta-voz da presidência, o Lombardi, anunciaria a nova equipe do patrão com o Ratinho no Ministério da Justiça, a Hebe Camargo no da Comunicação e o Alexandre Frota no da Cultura. Ainda não havia um nome para o líder do Governo no Congresso, mas tudo estaria indicando que devia ser o Roque.

Com o novo Governo, Sílvio Santos prometeria uma nova fase na política brasileira. Ia acabar de uma vez com esta história de topa tudo por dinheiro e criaria o programa Domingo no Planalto, onde iria apresentar planos revolucionários para o país. Entre eles, o Imposto da Felicidade. Quem pagasse todos seus carnês de impostos, rigorosamente em dia, concorreria a carros zerinho quilometro, a casas próprias e a tênis Montreal.

Um outro plano de Sílvio Santos ia ser o Novo Show do Milhão. Seria oferecido R$ 1 milhão de reais em barras de ouro para quem conseguisse responder como baixar a taxa de juros sem perder investimentos externos.

Aliás, decepcionado com os universitários do seu Show de Milhão tradicional, Sílvio promoveria uma total reforma nas universidades públicas, triplicando, assim, o número de vagas para novos alunos. Este plano seria batizado como Show de Calouros.

Para o comércio exterior, o novo governo negociaria a formação de um mercado comum com o México para a importação e exportação de novelas e seriados sem taxação alguma de impostos. A apresentação da primeira teledramaturgia mexicana livre de impostos seria na Praça dos Três Poderes. No final do episódio, Gugu choraria.

Pensando bem, se o ex-camelô e, atual dono de emissora de televisão administrasse o país assim como administra suas empresas, seu governo teria recorde de audiência. Mas Sílvio Santos presidente? Eu só acredito... Vendo.

***
Em tempo: Se o Sílvio Santos tivesse sido mesmo presidente, o vice, Gugu, já teria mudado de partido. Ninguém iria chorar. Afinal, não correríamos o risco de ele ser a Dilma do Sílvio.