quinta-feira, 28 de março de 2013

Da Série: Eu entendo de tudo – Tema: Política da Semana



Meus amigos, o Marco Feliciano se tornou uma alma perdida de vez. Não há mais jeito. Na reunião em que presidia a Comissão de Direitos Humanos, o pastor se desviou dos preceitos bíblicos que tanto dizia seguir. Chamado de racista por um manifestante,  Marco Feliciano não seguiu o principal ensinamento do Novo Evangelho: “Oferecer a outra face”. Ficou possesso e mandou prender o rapaz. Trocou de plenário e impediu a entrada dos protestantes (É preciso deixar claro: protestantes aqui não são os seguidores de Lutero, e sim sinônimo de manifestantes). Acha que só assim pode conseguir a paz necessária para continuar no cargo. Oh homem de pouca fé.

Bem, o PSC também não teve tolerância com o PT. Pressionado para persuadir Marco Feliciano a abandonar a Comissão de Direitos Humanos, o partido cristão lembrou os pecados alheios. Os petistas e mensaleiros condenados, João Paulo Cunha e José Genoino, estão na Comissão de Constituição e Justiça. Santo de casa não faz milagres.  
  
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Para não delegar tudo a Deus, até que o prefeito do Rio, Eduardo Paes, teve uma atitude racional: interditou o Engenhão. Se há risco, ainda que mínimo, de desabar parte da cobertura, é preciso agir e não esperar que algo caia do céu. Mas vem cá, e o Elevado do Joá? Será que ele crê que não há mesmo risco algum? Oh homem de muita fé!

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PS: E se a gente inventar que o Elevado do Joá foi ideia do Cesar Maia, será que o Dudu interdita

quarta-feira, 13 de março de 2013

Por que o Papa não é brasileiro


Vamos ser racionais. Todos nós sabíamos do risco que seria a escolha de um Papa brasileiro. Para começar o Vaticano ia ter que dar um jeitinho e canonizar José Sarney como santo padroeiro do Maranhão.  Ou você acha que Dom Odilo Scherer, o candidato que era o Brasil de batina, não tinha o apoio do PMDB? Todo candidato tem. Aliás, o partido já teria indicado três Cardeais e requisitado a direção do Banco do Vaticano. Cheio de jogadas o política, o PMDB foi tentar ensinar o padre a rezar missa. Não pegou muito bem.

Não para por aí. Marqueteiros brasileiros já teriam uma estratégia para atrair a classe C para o catolicismo. Empreiteiras já estavam contratadas para reformar a Capela Sistina, sugerindo uma decoração mais popular. Era o projeto Sistinão. Já havia até ambulantes credenciados para trabalhar no entorno.

Mas fora da jogada, o PMDB criou um entrave burocrático e a proposta não foi aprovada.

Outro ponto que atrapalhou a escolha do brasileiro foi a exigência da TV Globo para que as missas passassem a ser realizadas às 22h, logo depois da novela das 9h. A transmissão teria 18 câmeras, narração de Galvão Bueno e comentários sobre a liturgia de Arnaldo Cezar  Coelho.  Internautas mandariam as perguntas via Twitter.

-       Carola de Recife pergunta: “Pode pegar a hóstia com a mão, Arnaldo?”.

E depois da vinheta da marca de vinho que patrocina a missa, Arnaldo responderia.

Tudo ia muito bem durante a gravação do programa piloto, mas os velhinhos do Vaticano dormiram todos no meio da missa. 22h era muito tarde pra eles. A TV Globo desistiu e já anunciou a manutenção do Big Brohter na grade em 2014.

Mas a questão de maior debate na campanha foi o projeto Minha Igreja Minha Vida. Uma espécie de Bolsa-Dízimo. Alguns fiéis estariam isentos da contribuição mensal à Igreja. Mas numa atitude de extrema humildade, o Vaticano afirmou que era incapaz de fazer milagre no orçamento sem esta verba.

Entendo as causas para que não escolhessem o Papa do Brasil sil sil, mas eleger um argentino foi provocação. Deus que me perdoe.