terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Exclusivo: a biografia de Papai Noel

Papai Noel estava cansado. Desestimulado. Vivia coçando o saco que carregava nas costas. Trabalhava o ano todo, mas o reconhecimento só vinha quase no fim dos 365 dias e mesmo assim durava pouco. Logo depois, todos já tinham mudado de assunto e só falavam do ano novo.

Papai Noel queria mais. Queria o reconhecimento profissional. E quem sabe um cargo de executivo em uma indústria de brinquedos. Um emprego que oferecesse um bom salário, folga aos fins de semanas e feriados (inclusive o de Natal).

Papai Noel não conseguiu a vaga de vice-presidente na Gulliver. Tinha um estagiário que fazia essa função por um custo bem menor, mas o velhinho já tinha outros planos. Organizaria um programa de demissão voluntária para as renas que o ajudaram durante anos. Em relação aos duendes, pagaria cursos profissionalizantes para que eles pudessem alcançar um crescimento profissional e, principalmente, pessoal.

E assim, mandou as renas para o espaço. Já os duendes sumiram de repente, apesar da promessa dos cursos.

Seu novo negócio era adaptável aos novos tempos. Esqueceu as cartinhas. A equipe agora respondia as mensagens pelo facebook e Twitter (@papainoelreal). Tinha também um site: www.papainoeldelivery.com.br/3xsemjuros com patrocínio das Casas Bahia e um slogan que piscava na tela: "Aqui é assim: clicou, levou!".

O Velho Noel passou a trabalhar com um sistema de franquias. Quem quisesse ganhar um troquinho nos shoppings em época de Natal, teria que preencher um formulário, esperar a autorização e o fornecimento do uniforme pela empresa Papai Noel Logísticas e Entretenimentos S/A. Ficou acertado também que para cada grito "oh oh oh" seria cobrada uma taxa relativa aos direitos autorais.

E o velhinho era danado. Ainda tirou um coelho do gorro. Gravou um DVD de músicas natalinas. Era o Top 10 Hits Natal Remix. Papai Noel e sua Banda passaram a fazer shows com a participação especial da cantora Simone, cantando o sucesso "Então é Natal".

Estava tudo dando certo. Mas a pirataria estourou o saco do Papai Noel. Os duendes, que haviam desaparecidos, estavam, na verdade, fabricando produtos falsificados da Papai Noel Logísticas e Entretenimentos S/A, inclusive o seu maior sucesso: Top 10 Hits Natal Remix.

A entrega de todos os produtos ficavam por conta das vingativas renas. Mas o buraco do comércio ilegal era, literalmente, mais embaixo mesmo. Os gnomos comandavam tudo. E por mais que as autoridades os pegassem, eles conseguiam sumir de repente e aparecer em outro lugar, levando (pasmem!) os produtos pirateados.

Por isso, o Papai Noel pode interromper neste natal o fornecimento de seus produtos. Ele quer pensar numa reestruturação da marca e elaborar uma estratégia para acabar de vez não só com a pirataria dos gnomos, mas sim com todo tipo de comércio ilegal. Gnomos x Papai Noel. Em quem você acredita?

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Foi assim que vi o título


Domingo: 05/12/2010
Horário: 18:44

35 minutos do segundo tempo

Os próximos 10 minutos iriam decretar dois meses de humor meu. O Fluminense vencia por 1x0. Só que um golzinho do Guarani podia me tornar paciente de uma unidade cardiológica.

36 minutos

Nesse momento, batia o recorde de caminhada dentro de uma sala de estar. Em frente à TV, andando de um lado para o outro, percorri o equivalente a 17,5 quilômetros.

37 minutos

O locutor avisa que tanto Corinthians como Cruzeiro estão empatando. Só um desastre tira o título do Flu. Não queria, mas nessa hora, me veio à cabeça a LDU. Tinha que pensar em coisas positivas. É a lei da atração! Lembrei a arrancada de 2009. Tudo começou ali. Essa a verdade. O título de 2010 começou em 2009. E se levarmos em conta que cada equipe começa o campeonato com 5% de chances de título e, ano passado, a possibilidade de o Flu participar do brasileirão deste ano era de apenas 2%, a conta que surge é essa: em 2009, as chances de o Fluminense ser campeão no ano seguinte eram 2% em cima de 5%, ou seja, 0,1%. Fiz essa conta no meio do jogo, juro!

38 minutos

Toca o telefone. Alguém diz: “Vamos ser campeões, Vartan, vamos ser campeões!!!”. Eu repondo: “Deus te ouça!”. Ele desliga o telefone. Até agora não sei quem era!

39 minutos

Meu vizinho grita “Muricy guerreiro! Ficou no Flu para ganhar o Brasileiro”. Como Muricy foi importante! Com ele não tem segredo, vídeo motivacional ou teorias como a lei da atração que usei aos 37 minutos de jogo (mas deu certo, vocês viram). A malandragem de Muricy é trabalhar. O tricolor carioca precisava desse pragmatismo paulista. E esse paulista precisava desse clima carioca. O Flu está mais sério. Muricy está mais alegre. Eles se merecem. Nós merecemos.

40 minutos

Conca sente câimbras. Começo outra conceituação filosófica, sociológica sei lá o quê. Esse argentino é o rei do Brasileiro. Brasil x Argentina, Pelé x Maradona, Samba x Tango. Penso: quanta rivalidade boba. E exagero: o Flu está contribuindo para o fim desse bairrismo. Nesse momento, quem canta é o meu filho de 6 anos: “Puta que pariu, é o argentino mais amado do Brasil”. Ameaço repreender o palavrão do menino, mas não é ele que está certo? Bem, acho que não é exagero meu. Se Brasil e Argentina se unirem, vai ser por causa do Fluminense. Digo isso de forma racional. NEEEEENNNNNSSSEEEE!!!!


41 minutos
A bolinha da Globo avisa: gol do Cruzeiro. Cacete, não podemos nem pensar em tomar um gol. Custava uma vitória tranquila por 3 x 0, por exemplo? Melhor pegar o livrinho do plano de saúde e marcar a página do Procordis.


42 a 44 minutos

Estou rezando. O que leva um torcedor a crer que Deus assiste ao campeonato brasileiro? Vocês acham que Deus vai dar esse cartaz todo a CBF?

45 minutos

Vão ser dois minutos de acréscimos. 120 segundos. 1200 décimos, 12000 centésimos ou 120000 milésimos. É tempo para cacete, porra!


46 minutos

O juiz vai apitar a qualquer momento. Vai apitar, apitar, api....


12 horas depois

Acordo. Estou no Procordis. Chega o médico. É o Celso Barros.
NEEEEENNNNSSSSEEEE!!!