De todas as previsões erradas para o dia 21 de outubro de
2015 do filme De Volta Para o Futuro, nada foi mais brochante do que não nos
prevenir que a Internet causaria o fim dos “nudes” da Revista Playboy. Talvez pudéssemos lutar
contra as desgraças que a tecnologia provoca.

Esperávamos ela chegar à banca de jornal, sua casa. Cada mês,
ela aparecia diferente. Às vezes, descabelada como Cláudia Ohana, em outras, cheia de graça como Helô Pinheiro. E já teve
dia que, apesar de chegar soltando foguetes como a Rosemary, foi um período
meio sem graça, como em qualquer namoro.
Nossa maior dificuldade era lidar com o jornaleiro, o pai de
todas elas. Alguns eram sogrões bacanas. Outros achavam um absurdo entregar a filha para quem ia comprar a
revista contando moedinhas.
Um dia, elas sumiram de repente, sem dar satisfação. Sofri
como qualquer adolescente que termina um namoro. Anos depois, descobri que minha
mãe havia enterrado, cremado ou extraditado as revistas. Superei o trauma,
perdoei a coroa e estava indo bem. Até que... Recebo a notícia do fim do páginas
de nu. Foi como saber que aquela namorada que você teve na adolescência morreu.
Você não sentia mais nada por ela. Mas a
notícia mexe com a gente.
Agora a única esperança é que Dr. Brown e Marty McFly
apareçam hoje com alguns exemplares da década de 80. E se trouxerem a da Vanusa
Spindler, será um final perfeito.