segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Mais chatos do que torcedores do Flamengo


Ei, você, que balança pompom quando o Aécio aparece sorridente na TV ou que faz ola quando Dilma surge com seu andar dez para duas num debate. Desculpe.  Não quero causar desilusão. Mas nada tão PT como o PSDB e nada tão PSDB como o PT. Não! Não venha com o discurso infantil de reacionários x esquerda ou moralismo x corrupção. Senão, vou te achar bobo, boboca, nariz de pipoca.

“Ah, mas o PSDB estabilizou a economia”.  Reconheço, obrigado. Mas pode fazer isso da próxima vez, sem cobrar na conta a privataria tucana, a compra de votos para reeleição, etc.? Porque a gente quer um país bem financeiramente, mas a gente não quer só dinheiro!

“Ah, mas nunca antes na história desse país, um governo fez uma política social tão ampla como o PT”. Reconheço, obrigado também. Topo pagar os R$ 25 bilhões para o Bolsa família, mas não quero pagar os R$ 500 bilhões para 6 empresários sortudos. Ah, tira também da conta, por favor, o mensalão e as companhias do Maluf, Calheiros, Collor, Sarney, etc.   Porque a gente quer um Brasil sem fome, mas a gente não quer só comida!


Que fique bem claro, todas minhas convicções são extremamente pessoais. Não penso com ideologia nenhuma. Penso com minha cabeça. Então, às vezes, saem umas besteiras como esse texto.  

quarta-feira, 9 de julho de 2014

7 momentos da copa


1 -Chorar antes de entrar em campo não faz de nenhum jogador um derrotado. Geralmente os derrotados são os que choram depois. 

2 - Fred fez um Brasil inteiro se questionar: “Quando é que o bigode saiu de moda?”

3 - Felipão é excelente nas entrevistas. Sabe inibir um repórter, pautar a imprensa e dar preferência para 5 ou 6 coleguinhas, deixando todos outros jornalistas pau de vida. Ou seja, daria um ótimo chefe de redação.

4 - Num time em que não existe criação e nem marcação, culpar o goleiro ou o finalizador é a mesma coisa que culpar o estagiário da FIFA pela ação dos cambistas. (Exagerei, tá bom... Mas a Alemanha também exagerou e está todo mundo aplaudindo.) 

5- O tic-tac da Espanha não morreu. A Alemanha comprou. Questão de mercado.

6 - O futebol do Brasil não morreu. A Alemanha nocauteou. Questão de tratamento. Agora é a hora e a vez do SUS, Brasil!

7 - Gol da Alemanha.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Analistas da copa



De repente não éramos mais 200 milhões de técnicos. Éramos 200 milhões de psicólogos.

Não estávamos mais discutindo se Romário deveria ter sido convocado ou se Telê tinha que botar ponta. Estávamos patrulhando o comportando dos jogadores. Se deveria rir ou chorar. 

Dizer como alguém deve demonstrar o sentimento é de uma arrogância, que leva aos conceitos mais rasos: “Choro é sinal de desequilíbrio emocional!”. Não me lembro de ter visto o mais desequilibrado desta copa chorando antes de entrar em campo. Dentro dele, Suarez não suportou a pressão. Ou então, para a tese receita de bolo de fubá: “Um líder deve fazer assim, assim e assim!”. E eles nem imaginam quantos tipos de liderança existem.

O ser humano gosta desse tal achismo barato. Se é caro é bom. Se é carioca é malandro. Se é Galvão é chato. Se é chorão é fraco.


Uma lógica rápida e pobre. Se bem que, dependendo do jogo de hoje e da narração do Galvão, posso muito bem mudar de opinião. Neymar que está certo. Também preciso fazer análise.


quarta-feira, 18 de junho de 2014

Eles já avisaram

O único legado que essa copa promete deixar é um complexo de inferioridade em mim.  Eu achava que entendia um pouquinho de futebol, mas quando fui marcar meu bolão, vieram os conselhos humilhantes:
“Você não está levando fé no time da Bósnia! Olha, olha... Eles têm um bom meio-campo e um ataque consistente”; “O Irã vai dar trabalho!”; “Pode cravar: a segunda vaga do grupo é da Coreia!”.

Sinceramente, o cara que já viu algum jogo da Bósnia, Coreia ou Irã, antes desta copa, não merece ser levado a sério. Merece ser levado a um analista.

E ainda há as vertentes mais específicas que destroem qualquer chance minha de argumentação:
"Pelo o que o Hulk vem jogando no Zenit da Rússia, merece sim ser titular".


Não encarem isso como um comentário vingativo ou cheio de ressentimento, mas quem tem tempo para assistir a um jogo do Zenit, e ainda focar a atenção no desempenho de um jogador, não pode ter esposa, namorada, nem amigos.  E uma pessoa dessas, sem convívio social, não possui capacidade para entender as nuances que formam uma equipe. 

Por isso continuo convicto: o Hulk é só mais um bundão! 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Ah, os 40 anos!


Cheguei aos 40 quando ainda tenho 38 anos. Esquisito isso, porque ainda achava que tinha 20 e poucos. Você também achava. Confesse!  Ou, pelo menos, seja educado e minta.

Pode mentir!  Nós, com 40, não temos o menor problema em lidar com mentiras. Aceitamos isso como condição humana. Como parte de uma maturidade, que tem peito para usar silicone e cabeça feita para trocar um grisalho por um loiro ou, no caso masculino,  por um acaju.

Tudo que almejamos é a sinceridade da mentira. Gosto disso. Meus 20 e poucos anos ficaram para trás quando vi os black blocs quebrando bancos,  usando máscaras e gorros comprados com o cartão de crédito.  Quando vi os revoltados contra o sistema saqueando lojas da Victor Hugo. Afinal, uma bolsa daquelas  agrega valor.  Quando vi os que exaltam os justiceiros da Zonal Sul pedindo uma polícia mais inteligente nas ações, mais educada numa revista, enfim mais civilizada.

E para não cansar muito (pô, já tenho 40, né?) passo para esse parágrafo aqui debaixo outros grupos: como aqueles que ainda admiram Fidel, o carcereiro dos cubanos, mas defendem, no rolezinho, o sagrado direito de ir e vir; os paladinos da ética que repudiam os embargos infringentes (Ahá! Agora sei o que é isso!)  aos mensaleiros do PT, mas  procuram  as brechas da lei desportiva para defender a Portuguesa.  Ué, se a regra beneficia um rival, tem que ser aplicada também??? Ainda há os que descobriram que devem gritar contra a Copa que acontece daqui a pouquinho, mas não se deram conta que, no silencio, as empreiteiras provavelmente vão bater outros recordes na Olimpíada do Rio.  Bem,  pelo menos,  daqui a dois anos, teremos outro motivo para reclamar.   

Não! Não recrimine ninguém.  Você de 40 já sabe e não tem a hipocrisia em admitir que reclamar é muito mais saboroso do que propor (dê só uma olhada na sua timeline  do facebook*).  E também sabe que os black blocs que se acham revolucionários,  os politicamente corretos que se acham intelectuais e os reacionários que acham tudo “um absurdo!” acreditam nas próprias mentiras.  Nós, os quarentões, que não acreditamos mais nas nossas.

* Observação importante: se não tiver facebook, esquece o texto. Você realmente já ultrapassou os 40. Desculpe ter avisado só agora no finalzinho.

Este texto é um oferecimento do Wellaton 28 - preto azulado

sexta-feira, 14 de junho de 2013

O custo Brasil - As manifestações contra o aumento das passagens.


Todos os dias a pólvora é derramada no barril. Ir e voltar do trabalho cansa mais do que trabalhar. Num trajeto de 22km, a viagem dura 2 horas. Uma velocidade média de 11km/h, a metade de uma carruagem no início do século passado.

Todos os dias a pólvora é prensada no barril. É subumano como os passageiros são transportados em trens, barcas, metrôs e ônibus.

E todos os dias a chama corre no pavio quando o ônibus não para pro idoso.  Quando o plano de saúde reluta para marcar seu exame. Quando a companhia de gás aumenta a tarifa. Quando a empresa de energia é ruim e você não tem alternativa. 

E quando você lembra que são 5 meses de salário destinado a imposto, as agências reguladoras, preenchida por acordos partidários, apenas dizem que “sua reclamação será encaminhada às concessionárias. Dentro de 30 dias úteis entraremos em contato". E eles se esquecem, mas a chama continua correndo. Até que estoura.


R$ 0,20 são apenas o troco do preço da revolta. 



quinta-feira, 16 de maio de 2013

A bandeja do Congresso



Candidato a uma vaga de prestador de serviço no Congresso entra em uma sala para entrevista.

SENADOR: Como vai? Tudo Bem?
CANDIDATO: Tudo Bem. Tudo bem.

SENADOR: Pode sentar, por favor.

Garçom entra na sala.
GARÇOM: Os senhores aceitam um café?

Candidato e senador aceitam.

CANDIDATO:  Cafezinho? Ah sim, obrigado!
SENADOR: Opa!!! Obrigado, seu Augusto!

Entrevista continua.

SENADOR: Então seu... (procurando o nome na ficha)
CANDIDATO: Edno.
SENADOR: Isso! Seu Edno Inácio! O senhor sabe que este é um cargo de imensa responsabilidade. O garçom aqui no Congresso tem o de-sa-fi-o de servir o café para o povo. E nós somos os representantes do povo. Você viu a elegância do seu Augusto? Que postura! Não derramou uma gota. Um grão de açúcar. Isso é cuidar bem do patrimônio do Brasil.  E é isso que esperamos do garçom no congresso que não desperdice o produto do povo. Uma gota de café é um desperdício pra nação. Uma gota de café em cima do nosso paletó italiano, então... Quero nem pensar...
CANDIDATO: Tô ciente desta responsabilidade. Mas, com todo humildade, Senador,  não há ninguém melhor para esta vaga, ainda mais, no Congresso do que eu.
SENADOR:  Gostei, gostei. É seguro na hora de falar. Mas por que o senhor diz isso?
CANDIDATO: Porque eu sou o campeão brasileiro e recordista mundial de permanência em frente a uma máquina de cafezinho no trabalho.
SENADOR:  E nunca teve problema com seu chefe?
CANDIDATO: Tenho uma técnica especial.  Mesa do trabalho sempre desarrumada. Dá impressão que se está cheio de serviço. Evita assim as novas demandas de trabalho.
SENADOR:  E a clássica do paletó pendurado na cadeira?
CANDIDATO: Sim, e criei um incremento à técnica. Meu paletó dorme lá. Assim tem o adicional de hora-extra. Mas, não é um paletó como o do senhor...
SENADOR:  Mas agora, seu Edno, chega lá. Vai ter um salário mais justo com sua capacitação.
CANDIDATO: Isso que eu iria falar. Para servir o cafezinho, serão 12 mil iniciais podendo chegar a 15 mil?
SENADOR:  Isso, mas  o senhor terá alguns descontos, taxas... Afinal estará trabalhando na casa do povo. É preciso pagar uma espécie de aluguel por prestar esses serviços aqui. Mas não se preocupe, vc não precisará pagar ao brasileiro um por um, pode pagar diretamente a nós, os representantes deles.
CANDIDATO: E os 10% do garçom?
SENADOR:  Não. Os 10%  são sempre para o político. É praxe!
CANDIDATO: Mas as gorjetas?
SENADOR:  Sim, as gorjetas podem, mas vamos ter que reter 27,5% de Imposto de renda, 11% de INSS...
CANDIDATO: Pô, Senador, será que.... Não tem como... a gente conseguir uma...Sei lá, tipo... Isenção...
SENADOR:  Que isso, seu Edno? Assim como o país vai poder investir em educação, transporte, saúde... O Brasil não nada em dinheiro não... Mas olha só, dá uma olhadinha, pensa direitinho... Depois o senhor me liga e a gente vê como fica.
CANDIDATO: Tá jóia, Senador. Obrigado!
SENADOR:  R$ 2,50!
CANDIDATO: Hã?
SENADOR:  R$ 2,50.  Esse cafezinho que o senhor tomou é da máquina do Estado. Custa R$ 2,50!
....

Candidato puxa meio sem graça uma nota de R$ 5,00
SENADOR: Ah, não temos troco. Mas tudo bem, faz o seguinte, o Senhor paga o meu e fica tudo certo.