Era um típico adolescente. Apaixonado pelas mulheres,
pela vida, pelas paixões. Com ideais comunistas e utopia por um mundo melhor,
mais justo, mais bonito.
A impressão que se tinha é que nunca iria crescer, ser
um adulto de verdade e fazer o que o figurino manda. Ter um emprego estável, um
comprovante de renda para comprar à prestação nas Casas Bahia, crescer na
empresa e juntar uma economia para comprar algumas coisinhas à vista também. Se
desse, claro. Por fim, ter uma aposentadoria tranquila.
Mas não! Como todo adolescente era um contestador. Queria
viver de arte. Enxergava poesia até numa parede de concreto ou numa cidade
fantasma. Gostava de debater ideias, filosofia,... Enfim nada que desse dinheiro! Assim
iria ter que morrer trabalhando.
Aonde esse menino iria parar? Cada hora era um plano diferente.
E imagino do outro lado da mesa, os adultos respeitáveis, com seus crediários
em dia, estabilizados em seus empregos, profissionais experientes (fazendo a
mesma coisa há anos)... E ao receber os projetos do adolescente, daria uma olhada
rápida para o relógio (“Pô, ainda faltam 50 minutos para às 18h!”) e diriam:
- Meu filho, você está querendo inventar a roda, é?
E o adolescente mostraria seus traços de genialidade:
- Não! Só as curvas.
Oscar Niemeyer morreu adolescente aos 104 anos. Deixou
uma vida inteira pela frente.




